"Sim, eu estou cansado. Não, eu não aguento mais machucar meu coração. Não suporto mais me decepcionar com as pessoas, descobrir que elas não gostavam de mim ou que elas não gostavam sequer delas mesmas. Tem sido difícil dormir e acordar no mesmo pesadelo por repetidas vezes. Já sinto vergonha de contar ao meu coração que me apaixonei de novo. Já não sei mais com que cara e de que jeito contar aos amigos que não deu certo mais uma vez. Será que já não gastei toda a minha cota de desilusões pelas próximas dez encarnações? Alguém aí que comanda esse mundo: deve ser a vez de outra pessoa sofrer, não? Na próxima, me pula, por favor. Já não consigo mais me despedir de beijos, ter que apagar telefones, e encontrar tanta gente no mundo que quer tudo, menos viver um amor. Será que o problema sou eu? É tanta pancada que eu já chego a duvidar de mim. Mas não deve ser, ou eu não estaria preocupado com isso, eu não me importaria.
Eu só peço para não perder a esperança, para não deixar de acreditar. E eu peço também para não me iludir tão fácil. Não, eu não posso mais me entregar tão fácil, eu preciso entender que existem pessoas especialmente canalhas no mundo, gente capaz de tudo e que não se importa com nada, muito menos comigo. Então, um último pedido de um coração cansado, por favor, não me leve para sua vida se eu não vou poder ficar, não me leve para a sua casa se eu vou ter que arrumar o lençol para você receber o próximo, não seja carinhoso comigo, se não consegue segurar essa máscara até o final. Me diga a verdade, me mostre quem é você. Não que eu queira alguém perfeito, mas eu preciso saber se eu aguento o seu defeito. Então, sem truques, somos todos adultos, ou é hora de começarmos a ser. Se quer só se aproveitar de mim, me avisa, quem sabe eu não aceito? "
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
"Não importa quão grande seja a tormenta desde que o semblante seja sempre calmaria. Foi isso que me mandaram fazer, tô obedecendo, poxa. Todos os dias a saudade arrasa comigo e por fora, sorrio à La Monalisa, ninguém gosta de quem sofre, chora, reclama, é preciso ter fé, sorrir e disfarçar o quanto ainda preciso de ti. Tenho conseguido, quem me vê assim: salto alto, maquiada nem percebe a dificuldade que é manter toda essa pose de mulher desapegada e resolvida. Disseram uma vez que quanto mais você abre mão de algo, mais a vida te devolve esse algo, então tenho repetido inúmeras vezes que eu não te quero, que eu não te amo e que você pode ser feliz em outra vizinhança. Mas, os dias passam e nada do telefone tocar, de uma carta chegar, nada de nada. O inconsciente despreza a minha espera e eu sonho, de todas as maneiras, eu sonho: que você voltou, morreu, mudou, casou, que a gente se amou. A sua falta comprime o estômago, sufoca o peito, eu sinto um nó na garganta e para todos os lugares onde eu vou, você está lá. Quando acredito que acabou e finalmente estou livre de você, uma lembrança remota me inunda de emoções gostosas de sentir, é como se no fundo eu ainda fizesse a mesma escolha todos os dias. Tenho repetido: calm down, girl, everything passes and love doesn’t die, not yet. E como fez Caio F. colo um papel no espelho: eu te amo! É pra mim mesma. Pra ver se lá no fundo, aquela coisinha besta chamada fé ressurge em mim e eu consiga ter paz pra continuar a luta diária de esquecer quem me fez bem, me fez crescer, me fez amar, me fez descobrir outras maneiras de mostrar esse amor. "
domingo, 12 de setembro de 2010
"Os porta-retratos estão vazios até hoje. Talvez tenha sido minha maneira inconsciente de marcar a sua ausência aqui fora como ela significava aqui dentro. O painel de fotos também está sem fotos – suas, minhas, ou de quem quer que seja. Eu tirei porque estava cansada delas. Porque ficaram buracos quando tirei as nossas fotos. E também porque a minha vida não seria mais a mesma sem você. O estranho é que até hoje eu não sei o que é a minha vida sem você. Ela continuou, e eu não estou triste já faz um bom tempo, mas ainda não encontrei as fotos para os porta-retratos e os painéis. E olha que tenho muitas fotos novas, além das antigas, você sabe que eu adoro fotos. Eu não sou mais a mesma, é verdade, mas ainda não sei o que me tornei. Eu não vi mais o seu painel de fotos ou os seus porta-retratos. Eles se foram com você. Mas posso arriscar dizer que não estão vazios como os meus. Você arrumou eles de novo, assim como arrumou a sua vida. Você cresceu. Foi o que eu senti da última vez que ouvi sua voz e você me contou como estava tudo. Você estava tranqüilo, como fica quando está bem. Cansado, mas feliz. O mesmo, mas outra pessoa. Às vezes eu fico pensando sobre o que de mim ficou em você. Eu imagino que não sejam buracos em painéis de fotos nem porta-retratos. E também sei que não provoquei raiva a ponto de você jogar fora as cartas e as outras lembranças. Então o que eu me tornei pra você? Um equívoco? Uma lembrança simpática com a qual você não se identifica mais? Ou será que consegui me inscrever de maneira definitiva na sua história, de forma que você não quer nem conseguiria apagar, como você na minha? A minha casa continua de pernas pro ar, como a minha vida. Como se eu tivesse começado alguma coisa e parado no meio de caminho, e eu realmente parei. Sem saber por onde seguir, eu fui andando a esmo e evitando todos os espelhos que encontrei. E agora eu tenho muito medo de olhar. E de seguir em frente. Mas você me diz que as coisas vão ficar bem, e eu acredito. Agora só falta acreditar em mim." K.V

"Se sua partida é mesmo inevitável, se seu sonho é mesmo indispensável, se sua vida é mesmo impenetrável, vá logo de uma vez. Não permita que eu me apegue e faça planos, não me deixe crer no que não há verdade. Vá antes de borrar minha maquiagem, ferir minha coragem, antes que eu jogue meus instintos de sobrevivência definitivamente pela janela do prédio como se não me importassem mais sentimentos próprios. Não provoque meus medos, não confunda meu discernimento e não destrua meu equilíbrio. Apenas vá. Leve tudo o que é seu para que a lembrança não perfure meu sorriso cheio de lágrimas."
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
' Eu quero correr. Correr do mundo, correr das obrigações, correr de você. Quero me libertar da vontade de te dar um beijo, do desejo de passar horas deitada com você, das lembranças que me machucam o tempo inteiro. Eu quero correr. Mas todas as estradas me levam para o mesmo caminho. Minha bússola é meu coração, e ela perdeu a noção das direções, passando a apontar sempre para o mesmo lado:o seu. '
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