segunda-feira, 5 de outubro de 2009

- "Tive o peito estourado. Sonhos foram arrancados num só golpe. Como esperança, meu coração dizia que tudo aquilo era mentira. Anestesiado pela imensa dor, não consegui mais falar. Desobedientes, lágrimas insistiram em não aceitar a voz do coração. Rosto em lágrimas. Alma dilacerada. Comecei a chorar em silêncio. Senti o inferno dentro de mim."

- "Desmaiei. Jogado na cadeira meu coração queimava mais rápido do que aquelas malditas velas. Me deram alguma coisa para beber. Não sabia o que era, mas queria que fosse veneno. Novamente tudo começou a girar. Me senti leve. Muitos rostos me observavam. Não conseguia ver ninguém. Vultos passavam por mim e alguns flutuavam. O tempo passava muito rápido. Também flutuei. Me vi na cadeira. Meu pai estava ao meu lado e chorava como eu. Queria que parassem de esfregar álcool nos meus pulsos. Um dia antes Renato estava vivo, e então estávamos mortos."

- "Ao ouvir que o caixão seria fechado, fui envolvido por uma força muito parecida com a do vento. Meu corpo continuava inerte enquanto minha alma se arrastava pelo chão. As pessoas se movimentavam como em câmara lenta. Gritos, choros, desmaios. Desespero. Empurrado para trás por um sofro de sentimentos descontrolados, me separei do abraço seguro de meu pai. Sozinho e quase fora do salão, acompanhei com os olhos, segundo a segundo, a tampa da morte selar a vida. Duas almas gêmeas foram estraçalhadas naquele instante."

- "A saudade é pior coisa do mundo. Aos Sábados à noite, geralmente converso com a Lua e, quando isso acontece, de frente à capela da família Assunção, espero o nascer do dia, sempre com uma dúzia de cravos brancos e uma rosa amarela nas mãos. Sentado nos degraus, divido com o orvalho frio da manhã o silêncio eterno da minha alma. Caminhando pelas estreitas alamedas do cemitério, espero por um milagre que nunca aconteceu. O silêncio da morte é enorme. O do meu coração, maior ainda."

Melhor livro da minha vida.

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